Dentre todas as bandeiras hasteadas aqui no Campus Party, uma com certeza chama mais a atenção: a do Software Livre.

Um movimento enorme dentro do evento, com adeptos de todos os tipos e idades. Mais que isso, um movimento mundial. Mas afinal, o que significa? Sobre o que é? O que querem as pessoas com isso?
Olhando aqui à minha volta vejo centenas de jovens sentados em frente a suas telas pesquisando na Internet, assistindo conteúdo e trabalhando, seja lá no que for. São pessoas aficcionadas por tecnologia e computação, que estudam, respiram e vivem esse mundo 24 horas por dia. Pessoas que vão à fundo em assuntos como programação de sites e programas, criação de games, exploração da web e muito mais.
Em outras palavras, exatamente como os gênios criadores das mais revolucionárias ferramentas de tecnologia, como as redes sociais, sistemas operacionais, o iPhone ou o Nintendo Wii.
Uma forma que encontrei para definir os campuseiros foi “pessoas com um imenso conhecimento e criatividade no universo tecnológico, sempre ávidos por usar esse talento para criar, mexer ou melhorar o que já existe por aí na internet e no mundo da informática.”
Para eles, o objeto de desejo são os chamados programas Open Source – vulgo softwares livres -, que são criados de forma que possam ser melhorados, otimizados e re-distribuídos por qualquer um que se preste a fazer este trabalho. Softwares que, independente da forma com que foram criados, podem ser customizados para usos ou usuários específicos, modificados de acordo com alguma necessidade. Isso tudo a qualquer momento, em qualquer lugar, por qualquer um.
O que acontece é que hoje a maioria dos softwares são “fechados”. Windows, MacOS, programas da Microsoft, etc., jamais poderão ser modificados pelos seus usuários, uma vez que seus códigos-fonte não são disponibilizados para alterações. Além disso, é considerado criminoso aquele que tentar fazê-lo, sob pena de multas e até prisão em alguns países. Esses programas também se tornam cada vez mais difíceis de serem pirateados, justamente porque a preocupação dessas empresas é vender e lucrar com eles.
O movimento pelo Software Livre no mundo prega justamente o fim desse conceito. Pregam um mundo onde os softwares são abertos, com códigos-fonte disponíveis na internet justamente para serem adaptados, e onde os talentos individuais podem ser empregados para torná-los cada vez melhores, rápidos e flexíveis para aplicação em qualquer atividade ou necessidade. E o mais importante: gratuitos.
E, aqui no Campus Party, o movimento é igualmente grande. Um dos palcos de palestra, por exemplo, é voltado unicamente para este assunto. Uma área da arena foi também reservada para os mais adeptos, onde ficam aqueles que mais pesquisam sobre o assunto e trabalham, aqui no evento, para divulgá-lo cada vez mais.

Criou-se, ainda, a Rádio Software Livre, que aqui no Campus Party pode ser sintonizada na frequência 106.9 Mhz. Uma iniciativa dos próprios campuseiros, que se mobilizaram para trazer toda a estrutura necessária – incluindo uma antena!
Na rádio, os ouvintes encontram, além de entrevistas sobre o assunto, músicas de diversos artistas independentes, como Karnak, seguindo o “conceito” do movimento.

Se o movimento dá certo? Parece que sim.
Já há alguns anos tivemos um boom de softwares livres sendo lançados para download na internet, para diversos fins e usos. O Firefox é um deles. O Google Desktop também. Ambos hoje utilizados no mundo todo – e, além de ótima aceitação, com a percepção de que são melhores que os softwares pagos como Internet Explorer.
O movimento pelo Software Livre resgata um pouco do que já falamos aqui nos dias anteriores: a internet cada vez mais se torna um lugar onde quem dá as cartas é o internauta. As grandes marcas e empresas vão rapidamente deixando de ser o protagonista principal na rede, dando lugar àqueles que navegam por ela e que, ao que parece, têm uma capacidade cada vez maior de gerar conteúdo e informação com extrema qualidade.
Em suma, o Software Livre dá a palavra às pessoas. E tem muita gente aqui querendo – e merecendo – ser ouvida.